A socialite Regina Lemos Gonçalves, de 88 anos, deu uma entrevista onde acusa o ex-motorista, identificado como José Marcos Chaves Ribeiro, de mantê-la presa no próprio apartamento por mais de dez anos, em Copacabana, no Rio de Janeiro.
O endereço é um dos prédios mais famoso do Rio de Janeiro: o Edifício Chopin, vizinho do Copacabana Palace, hotel histórico e suntuoso na Zona Sul da cidade. A socialite, que é viúva e não tem filhos, herdou uma fortuna bilionária quando o marido, Nestor Gonçalves morreu há 30 anos, ele era fazendeiro e empresário.
Regina era conhecida por dar festas extravagantes, mas deixou de ser vista nas áreas comuns do prédio nos últimos dez anos, o que deixou os vizinhos e amigos preocupados.
Eles fizeram uma denúncia anônima sobre o sumiço da socialite ao Ministério Público do Rio em maio de 2022. Na época, disseram que tentaram em vão entrar em contato com Regina.
Regina diz que José Marcos era quem atendia seus telefonemas e não a deixava sair de casa alegando que ela estava doente. Ela diz que contratou José Marcos como motorista em 2010. Mas à Justiça, ele diz que teve um relacionamento amoroso com a socialite.
José apresentou uma escritura de união estável à Justiça, registrada em 2021. Regina disse que não se lembra de ter assinado o documento.
No documento consta que os dois estavam em pleno uso de suas faculdades mentais, principalmente Regina, porque foram apresentados dois atestados psiquiátricos para comprovar a saúde dela. A notícia de um suposto romance entre os dois chocou a família e amigos próximos.
Álvaro O’hara, amigo de Regina, que desconfiou dessa união estável dos dois disse “Por que a Regina jamais ia se envolver com uma pessoa como ele? O nível da Regina – e não é que eu a coloque como uma pessoa melhor que todo mundo — é que não se comunica essa história. Ela sempre o teve como o funcionário.”
Em dezembro de 2023, o ex-motorista entregou à Justiça um terceiro laudo, de outro psiquiatra, dizendo exatamente o contrário. Que, agora, Regina apresentava quadro de demência avançada com déficit cognitivo grave que a incapacitava para a prática dos atos da vida civil.
Dona Regina ficou com José Marcos no apartamento por aproximadamente 14 anos. Só no dia 2 de janeiro deste ano ela conseguiu sair sozinha e foi para casa do único irmão vivo que também mora em Copacabana.
A socialite diz que foi uma fuga.
“Eu resolvi fugir. Resolvi pôr um final nisso. O dia que eu fui procurar a casa do meu irmão, falei, cheguei, eles assustaram. Eu havia emagrecido mais de 30 quilos. Tava osso puro”, diz a socialite.
A Justiça concedeu a medida protetiva no dia seguinte. José Marcos tem que ficar no mínimo 250 metros longe dela.
Mesmo com a medida protetiva, ele conseguiu na Justiça o direito de ser o curador dela, e ganhou poderes pra administrar todo o patrimônio da socialite, assim como estava previsto na união estável.
A socialite afirmou que o ex-motorista já vinha controlando a vida financeira dela havia muitos anos.
Os advogados de Regina dizem que vão contestar a escritura de união estável entre os dois. A família também quer afastar o ex-motorista da gestão do patrimônio de dona Regina.
Após ter passado mais de dez anos isolada e presa no próprio apartamento, Regina quer viver e ver o show da Madonna na praia de Copacabana no próximo sábado (4/5). “Quero voltar a ser feliz. Porque pra mim tudo é festa”, destacou.






