Manaus | 11 de agosto de 2026 | 14:42:45

Coletivos e movimentos sociais realizam marcha pelo Dia Internacional das Mulheres, no Centro

Associações, organizações, coletivos e movimentos sociais estarão concentrados a partir das 15h, desta sexta-feira (8), na Praça da Igreja da Matriz, bairro Centro, zona Centro-Sul, para marchar pelo Dia Internacional das Mulheres. Nesse ano o movimento propõe a reflexão “O medo não vai nos parar” como cerne do ato que fará o percurso até o Largo de São Sebastião, onde a partir das 18h será realizado um ato cultural em prol da causa.

Francy Junior, do Movimento de Mulheres Negras da Floresta – Dandara, declarou que durante reunião do Fórum Permanente de Mulheres de Manaus (FPMM) foi discutido os brutais crimes ocorridos no interior do Amazonas no inicio desse ano, que tiveram mulheres como vítimas. “Nós estivemos refletindo sobre os diversos assassinatos de mulheres ocorridos no início desse ano e em cidades tão pequenas”, pontuou. 

Um desses casos foi da artista venezuelana, Julieta Inés Martinez, 38 anos, morta por asfixia e encontrada dentro de uma cova rasa no dia 8 de janeiro deste ano. O crime ocorreu no município de Presidente Figueiredo (distante 117 quilômetros em linha reta da cidade) e o casal Thiago Agles da Silva, 32 anos, e Deliomara dos Anjos, 29 anos, confessaram o crime, motivado por ciúmes. Os dois foram presos e seguem à disposição da Justiça. “Quando a mulher tem medo ela não sai de casa. Quando a mulher tem medo ela não vive. E precisamos enfrentar nossos medos. A mulher não pode sair para uma festinha que tem medo de ser estuprada pelo Uber. Não pode pegar ônibus porque tem medo de ser assediada e assaltada. Precisamos de políticas públicas eficazes. Precisamos de emprego. Precisamos que a sociedade contribua”, declarou Francy Junior.

São 39 organizações sociais envolvidas no ato desta sexta-feira (8) e expectativa é que aproximadamente 5 mil mulheres compareçam na marcha. Na percepção do FPMM, “ao longo de quase quatro décadas, ir para as ruas se manifestar trouxe mudanças sociais e políticas, trouxe a compreensão por parte do poder público quanto ao direito da população a transparência de informações”

O primeiro ato do 8 de Março registrado no Amazonas foi realizado no ano de 1985, há 39 anos. “Esse tempo também foi importante para nós da sociedade civil continuarmos atentas, nos reinventando e reivindicando direitos, pois a luta das mulheres contra o patriarcado é dia todo, todo dia. A maior dessas lutas é contra o machismo que tenta relativizar e banalizar violências hediondas contra mulheres e meninas como estupro, violência doméstica familiar e feminicídio”, pontuou o FPMM.

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