A situação prejudica o diagnóstico precoce de diversas doenças, como a osteoporose, que se manifesta de maneira silenciosa e atinge 10 milhões de pessoas no Brasil.

Aos 14 anos, a Bruna Rocha foi diagnosticada com esclerose múltipla, uma doença autoimune que afeta principalmente o cérebro, olhos e medula espinhal. Os efeitos colaterais do tratamento causaram perda óssea, fazendo com que Bruna desenvolvesse uma nova doença, a osteopenia. Com acompanhamento, é possível levar uma vida quase normal, mas nos últimos meses, ela vem sofrendo com cancelamentos de consultas e exames. “Eu não tive nenhum sintoma de exacerbação da doença, isso me tranquiliza. Ao mesmo tempo, muitos amigos que têm a mesma doença têm exacerbação da doença e não sabendo se é uma lesão nova, se têm algum quadro novo na própria doença. Isso é muito complicado e traz uma insegurança muito grande.”

A situação de Bruna é a mesma de milhões de brasileiras, conforme revela agora uma pesquisa sobre a saúde das mulheres na pandemia. Um levantamento realizado pela consultoria Kantar, em parceria com a Amgen, revelou que 23% das entrevistadas tiveram consultas de rotina canceladas nos últimos meses. Isso prejudica o diagnóstico precoce de diversas doenças, como a osteoporose, que se manifesta de maneira silenciosa.

O vice-presidente da Comissão Nacional de Osteoporose, Ben-Hur Albergaria, afirma que mulheres que já passaram pela menopausa precisam ficar atentas. “Na mulher em particular, o papel dos hormônios femininos são fundamentais. Estrogênio tem papel crítico em manter o osso saudável. Então fica fácil entender que quando essas mulheres entram na menopausa e elas param de produzir hormônios, a partir daí elas estão sujeitas a uma perda importante”, afirmou. A Bruna não sabe quando vai retomar as consultas e teme ficar sem medicamentos fundamentais para sobreviver. “A minha última ressonância não sei se o Estado vai aceitar agora para eu continuar pegando o meu medicamento. Preciso apresentar exames de sangue, exames de imagem e o laudo médico”, disse. No Brasil, estima-se que a osteoporose afete 10 milhões de pessoas.

Fonte: JP Noticias