Moraes determinou extradição há dois meses; departamento que cuida do caso no Ministério da Justiça segue acéfalo.

O ativista bolsonarista Allan dos Santos vai virar o ano sem ter seu nome incluído na lista vermelha da Interpol. A requisição foi feita pelo ministro do STF Alexandre de Moraes há dois meses. O departamento do Ministério da Justiça que cuida de extradições segue acéfalo.

Na prática, a ausência de Allan dos Santos entre os procurados pela polícia internacional permite que ele fique nos Estados Unidos sem o risco de ser extraditado para o Brasil, contrariando a decisão de Moraes.

Próximo da família Bolsonaro, o militante é investigado no STF por disseminar fake news e financiar atos antidemocráticos.

O pedido de inclusão de seu nome na lista de foragidos internacionais da Interpol causou exonerações no Ministério da Justiça e intervenções no Departamento de Recuperação de Ativos e Cooperação Jurídica Internacional (DRCI), órgão da pasta responsável pelos trâmites burocráticos de pedidos de extradição.

A primeira vítima foi a delegada da PF que chefiava o DRCI, Silvia Amelia de Oliveira. O departamento continua sem um chefe formal até hoje. Também perdeu o cargo a assessora internacional do Ministério da Justiça Georgia Sanchez Diogo.

Outra delegada que participou do pedido de extradição e que perdeu o posto foi Dominique Oliveira. Ela trabalhava na Interpol no Brasil.

Além disso, a forma como tramita um pedido de extradição também mudou por causa do ativista. Agora, o secretário nacional de Justiça, Vicente Santini, precisa assinar as requisições. Antes, bastava o aval da chefe do DRCI. A exemplo de Allan, Santini é amigo dos Bolsonaro.

A estratégia do governo Bolsonaro para postergar a inclusão do alvo do STF na lista vermelha é alegar que o militante é investigado por crimes políticos. A Interpol não atua nesses casos.

 

 

 

Fonte: Metrópoles